Consumo de álcool em excesso aumenta a chance de desenvolver fibrilação atrial?

quarta-feira, 2/ago/2017

 

Consumo de álcool em excesso aumenta a chance de desenvolver fibrilação atrial?

Aos fãs de uma cervejinha ou taça de vinho, calma. Existe sim uma relação entre bebidas alcoólicas e maiores chances de desenvolver arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, mas essa associação depende bastante da quantidade de álcool ingerida e da predisposição do indivíduo.

Uma pesquisa realizada pelo Hospital Universitário de Munique, na Alemanha, identificou uma relação direta entre consumo de cerveja e riscos de insuficiência cardíaca. No estudo, identificaram-se maiores chances de alterações na frequência do coração e derrame em pessoas que haviam ingerido quatro copos de cerveja (com quantidade entre 460 e 560 ml).

De acordo com os dados obtidos observou-se que a cada grama de álcool ingerida por quilograma de sangue aumentava em até 75% as chances de arritmia cardíaca. Entre os mais de 3 mil participantes do estudo realizado durante um festival de cerveja, percebeu-se que cerca de 33% apresentavam arritmia no momento da pesquisa. Na população geral esse índice é de aproximadamente 4%.

Portanto, esse é um dos estudos que comprovam que existe sim uma relação entre o consumo excessivo de álcool e o aumento das chances de desenvolver fibrilação atrial. Mas, como essa relação funciona?

Qual a relação entre consumo de álcool e a fibrilação atrial?

Ainda que a pesquisa refere-se a um festival, ela traz indícios de que o consumo continuado de álcool pode gerar ou agravar condições cardíacas no longo prazo. Ao consumir álcool em excesso o que ocorre no corpo é que modificações eletrofisiológicas acontecem no coração, entre elas a redução da condução de impulsos elétricos entre os átrios e também a redução do período refratário efetivo das células atriais.

Ao beber excessivamente, outras condições prejudiciais ao coração podem ocorrer, como lesionar os miócitos, causar inflamação localizada e estresse oxidativo severo.

Uma ocorrência frequente em indivíduos com alto consumo de álcool, atingindo aproximadamente 30% desse grupo, é a hipomagnesemia. Essa condição faz com que a excreção renal de potássio aumente, ocasionando a hipocalemia.

Ao diminuir os níveis de potássio no organismo ocorre uma agitação das células cardíacas, o que pode resultar em riscos elevados de uma arritmia.

Ao consumir álcool em excesso outra ocorrência no corpo é a aumento dos níveis de catecolaminas circulantes, gerando um estado hiperadrenérgico no indivíduo. Essa condição pode permanecer por até 24 horas após a interrupção do consumo de álcool, sendo a explicação para a recorrência de arritmias em pessoas durante a chamada “ressaca”.

Além de aumentar as chances de ocorrência de problemas cardíacos, o consumo excessivo de álcool por pessoas que apresentam predisposição a desenvolver fibrilação atrial e outras formas de arritmia cardíaca pode antecipar o surgimento e agravar o problema no coração.

Observar a ocorrência de sintomas relacionados com o coração durante ou após a ingestão de álcool é uma das formas de identificar se esse consumo tem gerado problemas cardíacos. Entre os sinais que podem surgir estão:

  • falta de ar;
  • fraqueza;
  • fadiga;
  • coração acelerado;
  • desmaios.

Caso qualquer dos sintomas seja identificado, um médico deve ser procurado imediatamente. Consumir álcool com moderação e não deixar de fazer as consultas de rotina são formas de evitar o agravamento da fibrilação atrial ou outras formas de arritmias cardíaca decido o consumo de álcool.

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