Implante de monitor de eventos auxilia no diagnóstico de fibrilação atrial em casos de AVC criptogênico

sexta-feira, 15/jul/2016

É comprovado que os casos de acidente vascular cerebral cardioembólico relacionados à fibrilação atrial (FA) são mais letais e incapacitantes do que outras formas mais comuns de AVC. Para esses casos, em que a presença da arritmia cardíaca é diagnosticada, uma das principais formas de tratamento é por meio de medicamentos anticoagulantes orais (ACO).

Os ACO são frequentemente recomendados pelos especialistas quando a FA é identificada por meio de um eletrocardiograma ou monitorização por Holter durante 24h, visto que eles reduzem em quase 70% as chances de o paciente sofrer um AVC cardioembólico. No entanto, não é sempre que a fibrilação atrial é identificada, podendo causar quadros de AVC criptogênico, ou seja, sem uma causa identificada.

Devido a isso, o estudo CRYSTAL-AF representa um verdadeiro marco na história dos casos de fibrilação atrial oculta, visto que ele contribui para o aprimoramento do diagnóstico e tratamento da FA, evitando que ocorram casos de AVC cardioembólico, principalmente em idosos.

monitor de eventos implantável

Como funciona o estudo CRYSTAL-AF?

O estudo se baseou no implante de um dispositivo capaz de registrar o ritmo cardíaco por três anos, de maneira confortável e simples, com riscos mínimos de apresentar complicações. De acordo com grandes autoridades científicas presentes no estudo, essa monitoração prolongada do ritmo cardíaco proporcionou uma grande contribuição para o manuseio clínico da FA.

A pesquisa foi realizada com 441 pacientes acometidos por acidente vascular cerebral sem causa identificada (AVC criptogênico). No decorrer dos 90 dias seguintes ao evento cerebrovascular agudo, eles foram monitorizados, pelo menos uma vez, da maneira convencional, por meio do uso de Holter 24 horas, seguindo as recomendações das atuais diretrizes. Metade deles foi monitorada do modo convencional enquanto a outra metade recebeu um monitor de eventos implantável, um dispositivo com tamanho equivalente ao de um pen drive comum, cujo o procedimento de implantação leva cerca de 15 a 30 minutos e é realizado com anestesia local.

Quais foram os principais resultados do estudo?

O estudo CRYSTAL-FA permitiu afirmar que a chance de identificar a fibrilação atrial oculta em pacientes que sofreram AVC criptogênico foi muito maior por meio do dispositivo implantado do que pelo modo habitual nos três anos de acompanhamento. A chance de identificação da FA oculta apresentou aumento com o passar do tempo, sendo seis vezes maior durante o primeiro ano e nove vezes maior ao final do terceiro ano de avaliação.

A média de tempo para o diagnóstico da fibrilação atrial por meio do monitor de eventos implantável foi de cerca de 84 dias, concluindo que, provavelmente, o período recomendado para a permanência do aparelho no paciente para a monitorização seja de 90 a 120 dias. Os especialistas estudam, ainda, a possibilidade de desenvolver uma versão mais compacta do dispositivo, que permita a implantação de forma mais simples e possua um sistema de captação e transmissão de dados aperfeiçoados. Um dispositivo que permita, por exemplo, a rápida comunicação da ocorrência de uma fibrilação atrial no paciente diretamente a uma central.

Enquanto o procedimento ainda não virou regra em todos os serviços para os casos de AVC criptogênico, a conduta para rastrear FA oculta permanece a mesma: realizar eletrocardiograma frequentemente, solicitar o monitoramento por meio de Holter 24 horas e utilizar um gravador de eventos convencional. No entanto, no estudo foi comprovado que esse procedimento identificou apenas quatro casos de FA oculta enquanto o dispositivo monitor de eventos implantável documentou 29 casos, e com isso o procedimento entrou no Rol de procedimentos autorizados pela ANS 2016.

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