Tudo sobre a síndrome de Wolff Parkinson White

quarta-feira, 23/ago/2017

A síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) foi descoberta em 1930 por três médicos: Louis Wolff, John Parkinson e Paul White que identificaram uma anomalia genética em 11 pacientes. O nome da síndrome foi dado em homenagem aos cardiologistas que primeiro a identificou.

O que os médicos constataram foi à existência de uma via elétrica extra no coração que ligava os átrios aos ventrículos, fazendo com que os impulsos cardíacos se propagassem de forma anômala.

Síndrome de Wolff Parkinson White (WPW) - Tudo que você precisa saber!

A seguir vamos explicar tudo sobre a síndrome de Wolff Parkinson White!

O que é a síndrome de Wolff Parkinson White?

A alteração genética que causa o ligamento entre as câmaras superiores do coração (átrios) com as inferiores (ventrículos) acomete 1 a cada 1000 nascidos, sendo proporcionalmente rara na população em geral, pois afeta 0,1% das pessoas. A síndrome está presente desde o nascimento, sendo habitualmente diagnosticada entre os 11 e 50 anos.

Para compreender o que é a síndrome de Wolff Parkinson White deve-se entender inicialmente como o coração funciona. Ele é um órgão autônomo e capaz de gerar impulsos elétricos que são responsáveis pelo bombeamento sanguíneo e o percorrem sequencialmente gerando as contrações.

O impulso elétrico cardíaco tem origem no nodo sinoatrial ou nodo sinusal, localizado no átrio direito. Os impulsos gerados percorrem o coração ritmadamente, sendo transportados pelas fibras até o nodo atrioventricular (nodo AV), localizado entre os átrios e os ventrículos.

Ao alcançar esse ponto do coração, o impulso elétrico é retardado de forma que os átrios se contraiam antes dos ventrículos. Os impulsos demoram cerca de 0,2 segundos para percorrer o coração, somando entre 60 e 100 impulsos gerados pelo novo sinusal em um minuto.

No coração saudável, os átrios e ventrículos ficam isolados um do outro, sendo o único canal de ligação o nodo atrioventricular.

Em pacientes acometidos pela síndrome de Wolff Parkinson White o que ocorre é uma anomalia anatômica que liga os átrios aos ventrículos, acabando com o isolamento elétrico existente entre essas duas partes do coração. Essa condição gera impulsos elétricos extras entre átrios e ventrículos.

A anomalia causada pela síndrome faz com que haja uma via dupla para os impulsos elétricos, tanto dos átrios para os ventrículos, como o contrário. Isso gera duas ocorrências de taquicardia possíveis para os portadores da enfermidade:

  • Quando o impulso elétrico segue os dois caminhos disponíveis, fazendo com que os ventrículos recebam num curto espaço de tempo dois impulsos, gerando uma sobrecarga e causando a taquicardia;
  • Casos nos quais o impulso elétrico faz o caminho inverso e, após chegar nos ventrículos é reencaminhado para os átrios pela via anômala, causando uma sobrecarga no nodo atrioventricular.

É relevante compreender que nem todas as pessoas que nascem com a via anômala desenvolvem taquiarritmias. Indivíduos que nasceram com a via extra, mas não apresentam os sintomas possuem um padrão de Wolff Parkinson White. Já aqueles que são diagnosticados com os sintomas, possuem a síndrome de fato.

Qual a relação entre a síndrome e a fibrilação atrial?

Assim como a fibrilação atrial, a síndrome ocorre por um aumento do ritmo cardíaco. Portanto, há uma relação entre essas condições. Estima-se que a fibrilação atrial seja o tipo de arritmia cardíaca presente entre 10 a 30% das ocorrências de síndrome de Wolff Parkinson White.

A fibrilação atrial consiste em uma condição na qual as câmaras superiores do coração, chamadas de átrios, apresentam um ritmo cardíaco anormal. São sintomas recorrentes da fibrilação atrial a falta de ar, dificuldade para respirar e dores no tórax.

Quais os sintomas da síndrome de WPW?

Uma vez que são os sintomas o determinante da síndrome é importante que o paciente com suspeita saiba identificá-los. Inicialmente é necessário saber que a anomalia pode ser assintomática como afirmado. Nesses casos, a descoberta sobre a condição costuma acontecer por meio de eletrocardiograma de rotina.

Ainda que a condição esteja presente desde o nascimento, a maioria dos pacientes com a condição só desenvolve arritmias com mais idade. Nos casos em que a síndrome apresenta sintomas, estes são, normalmente, relacionados com ocorrências de taquicardia, como:

  • Palpitações ocasionais ou duradouras;
  • Tontura;
  • Ocorrências de desmaios;
  • Fraqueza;
  • Falta de ar;
  • Baixa tolerância à prática de esforço físico;
  • Ansiedade;
  • Dores no peito.

Geralmente, os episódios de taquiarritmia ocorrem subitamente, podendo durar alguns segundos ou várias horas. Existem algumas situações que podem desencadear o ritmo cardíaco acelerado, como consumo de cafeína, álcool ou estimulantes e também atividades físicas.

Como é realizado o diagnóstico da síndrome de WPW?

O diagnóstico da síndrome de Wolff Parkinson White pode ser realizado após a procura por um cardiologista por apresentar os sintomas citados, mas também em consultas de rotina ao médico, uma vez que os exames que permitem identificar a síndrome são bastante comuns para conhecer outras condições cardíacas. São eles:

  • Radiografia do tórax para visualizar se o coração está dilatado;
  • Eletrocardiograma que permite avaliar o padrão dos batimentos cardíacos ajudando a identificar alterações. Por meio do exame é possível detectar arritmias cardíacas ainda que elas não ocorram no momento do procedimento;
  • Testes eletrofisiológicos que são exames mais específicos que ajudam a confirmar a síndrome e conhecer a localização da via adicional;
  • Dispositivos portáteis como o Holter 24 horas podem ser indicados pelo cardiologista a fim de conhecer toda a atividade cardíaca do paciente durante um determinado intervalo.

O cardiologista responsável pelo caso vai determinar qual o exame mais adequado de acordo com os sintomas relatados pelo paciente e as suspeitas dele sobre o quadro clínico.

Tratamento para a síndrome de Wolff Parkinson White

O tratamento para a síndrome de Wolff Parkinson White vai depender dos sintomas relatados pelo paciente, sendo possível realizar o tratamento medicamentoso para evitar ocorrências de taquiarritmias e também o tratamento cirúrgico, chamado de ablação cardíaca. O tratamento via medicamentos pode ser incômodo para o paciente visto que exige a ingestão contínua de remédios. Caso este seja o caso, é possível conversar com o cardiologista responsável visando outros tipos de tratamentos que possam tratar definitivamente a condição.

A ablação cardíaca é muito indicada para casos de fibrilação atrial, sendo também uma alternativa para pacientes acometidos pela síndrome de Wolff Parkinson White. A taxa de sucesso do procedimento opara pessoas com a síndrome é de 95%, representando um tratamento definitivo para a condição. O cardiologista pode indicar tanto a crioablação quanto a ablação por radiofrequência, sendo ambos os procedimentos realizados via cateterismo, sendo considerados minimamente invasivos.

Para os 5% dos casos nos quais a ablação não é eficaz pode-se optar pela cirurgia cardíaca, que consiste em um procedimento mais invasivo que exige a abertura do tórax.

O importante é que o paciente acometido pela síndrome de WPW, tenha ela avançado para uma fibrilação atrial ou não, saiba que as possibilidades de tratamentos são diversas e as chances de agravamento do quadro clínico devido à condição são muito baixas, principalmente quando realizado o acompanhamento adequado com o cardiologista.

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